Partilhar 
 

Seleção da raça Alentejana

O esquema de seleção da raça Alentejana durante alguns anos baseou-se sobretudo na avaliação morfológica e na testagem individual em estação, privilegiando a melhoria da conformação e da velocidade de crescimento dos animais.

Em 2003 a ACBRA reformulou o programa de melhoramento da raça, visando a aumento da sua produtividade, mas mantendo a rusticidade, apontando como objectivos de melhoramento as seguintes características:

  • Capacidade maternal
  • Características reprodutivas
  • Características da carcaça.

Em 2003 publicou-se oficialmente, pela primeira vez, o Catálogo de Reprodutores de bovinos da raça Alentejana e, ao longo dos anos, outros caracteres foram gradualmente considerados na avaliação genética. 

 

Embora a recolha de registos genealógicos e produtivos sobre a Raça Alentejana se tenha iniciado na década de 40 do século XX, a ACBRA, nos últimos anos, tem promovido a recolha mais alargada de registos nas explorações, em estação e no matadouro. Desta forma, a ACBRA dispõe presentemente de uma ampla base dados genealógicos e produtivos sobre mais de 210000 animais. 

 

 

Os resultados obtidos a partir da caraterização genética por análise demográfica indicam que os níveis médios de consanguinidade próximos dos 9% não são inquietantes, mas é aconselhável uma maior atenção nos emparelhamentos a praticar no futuro. A estimativa do grau de parentesco médio entre animais de diferentes explorações (2.2%), comparativamente à estimativa para animais nascidos na mesma exploração, indicam que existem condições para que, através duma correcta gestão demográfica da população actual, os valores da consanguinidade individual se mantenham aceitáveis sem prejuízo para a raça. Esta raça, em termos demográficos, tem todas as condições para poder desenvolver um programa de selecção eficaz e que tenha em consideração a manutenção da variabilidade genética da população. 

 

Actualmente, o esquema de selecção pode-se considerar como aberto e com diversas fases (selecção individual, pela ascendência e pela descendência, constituído), uma vez que inclui animais de todos os criadores associados, embora algumas actividades sejam executadas por um grupo mas restricto de criadores (núcleo de selecção), que procedem ao controle de crescimento na exploração, para além do controle das performances reprodutivas. 

Carácteres Reprodutivos

A idade média ao primeiro parto na Raça Alentejana é de 38.6 ± 6.0 meses, podendo variar consoante a exploração, ano de nascimento e peso ao desmame. Embora existam casos de novilhas a parirem pela primeira vez com cerca de 2 anos de idade, em termos de intervalos entre partos subsequentes verifica-se um alongamento destes. Contudo, tudo indica que a antecipação da idade ao primeiro parto até cerca dos 30 meses de idade, resultará numa melhoria da produtividade ao longo da vida, quer em termos de intervalo médio entre partos, quer em termos de peso total desmamado.

Quanto à estrutura etária dos efectivos podemos considerar equilibrada, tanto nas fêmeas como nos machos. A maioria dos touros são utilizados entre os 3 e os 8 anos de idade, apesar de alguns machos permanecerem até idades mais avançadas, e nestes casos tratam-se de reprodutores sobre os quais os criadores demonstram alguma preferência, pelo que a sua utilização é mais frequente, incluído-se o recurso à inseminação artificial, embora em reduzida escala. No caso das fêmeas a idade média ao refugo é de cerca de 12 anos, registando-se um decréscimo praticamente linear do número de fêmeas em função da idade ao parto (Carolino e Gama, 2000).

O intervalo médio entre partos na raça bovina Alentejana é de 433 ± 97 dias, constatando-se grandes diferenças entre registos devido aos efeitos do tipo de exploração, ano e mês de parto e idade da fêmea ao parto. Verificou-se em diversos trabalhos, que fêmeas paridas no final do Verão têm intervalos entre partos mais reduzidos do que fêmeas paridas nos restantes meses do ano, e que as fêmeas atingem o máximo de produtividade, em termos de intervalo entre partos, com cerca de 8 anos de idade (Bigares et al., 2000). Ao longo dos últimos anos registou-se uma tendência para a diminuição do intervalo entre partos (-2.4 ± 0.8 dias/ano).

Carácteres Produtivos - Raça Bovina Alentejana

A Raça Bovina Alentejana apresentou entre a décadas de 70 e 90 do século XX um aumento acentuado do peso adulto, que atinge presentemente valores médios da ordem dos 600-700 Kg e m vacas e 900-1100 kg em touros. Estes resultados são uma consequência do facto da raça Alentejana, sobretudo a partir da década de 70, ter sido seleccionada essencialmente para a velocidade de crescimento, pelo que também se verificou um aumento de peso a outras idades, nomeadamente, entre os 7 e os 12 meses.

 

Carcaça

Os Bovinos da Raça Alentejana  abatidos através do esquema de certificação apresentam, em termos de características de carcaça, uma razoável homogeneidade, como aliás é pretendido pelo circuito comercial e pelo consumidor. As diferenças entre animais de diferentes criadores, meses e anos, são de reduzida relevância, o que contribui para a homogeneidade observada. Verifica-se, contudo, uma influência importante da idade ao abate, que sugere não haver vantagem em prolongar os abates para além dos 22 meses, já que começa a haver, a partir deste ponto, uma estabilização do rendimento em carne e um aumento de peso da carcaça obtido sobretudo à custa de peças menos valorizadas. 

 

Em trabalho desenvolvido com base em registos recolhidos pela CARNALENTEJANA, S.A., por Carolino et al. (2006), foram analisados dados de abate de 7701 novilhos, provenientes de 94 criadores e abatidos entre 1995 e 2004 através do esquema de certificação. Os 7701 novilhos Alentejanos comercializados como produto DOP e incluídos na análise foram abatidos a uma idade média de 21.3±3.6 meses, variando entre os 13 e os 30 meses, conforme previsto no caderno de especificações. A carcaça registou um peso médio de 353.1±51.0 kg (Figura 10 e 11), enquanto que o peso total das peças apresentou uma média de 247.9±39.0 kg, correspondendo a um rendimento de desmancha de 70.1%.  

 

Raça Bovina Alentejana

Evolução do Intervalo médio entre Partos

Desde o Nascimento

Quando os animais nascem são registados no Livro de Nascimento do Livro Genealógico, sendo alguns sujeitos a controlo de filiação por análise de ADN. Nas explorações, procede-se ao registo dos acontecimentos reprodutivos e ao controle de crescimento, com o objectivo de se obter o peso ajustado aos 210 dias de idade. Os animais que vão para abate são controlados em termos de rendimento da desmancha, peso da carcaça e pesos das peças. Com base no mérito genético para a capacidade maternal e para o intervalo entre partos e no seu desenvolvimento, 2 vezes por ano, machos de diversas explorações são recrutados para o teste de performance em estação. Com base nos resultados da avaliação genética, dos testes de performances e da avaliação morfológica, procede-se à inscrição dos animais no Livro de Adultos. Machos e fêmeas são seleccionados com base no mérito genético e na sua avaliação morfológica. Na avaliação genética de 2011 foram incluídos mais de 210000 animais e procedeu-se à estimativa dos valores genéticos para a capacidade de crescimento e capacidade maternal até desmame, intervalo entre partos, ganho médio diário e índice de conversão no teste de performances, rendimento de desmancha, percentagem de peças da carcaça de categoria extra e peso da carcaça por dia de idade. Todos os caracteres incluídos na avaliação genética são submetidos a análise, através do BLUP - Modelo Animal, com diferentes modelos, conforme apresentado na Figura acima e com os parâmetros genéticos enumerados na Figura abaixo. Os resultados da avaliação genética são divulgados anualmente aos criadores de diversas formas, em catálogo ou em relatórios individuais por exploração, e estão disponíveis on-line permitindo, assim, que se pratique uma selecção mais objectiva e eficaz.

Contacto
Associação de Criadores de Bovinos de Raça Alentejana
(Assumar)
Assumar - Programa de Melhoramento


Agricultura e Pecuária- Associação do Bovino Alentejano

Herdade Coutada Real
7450-051 ASSUMAR
( Monforte )
245 508 120
245 505 142
Mapa do site